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Historia do Legião Urbana

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RENATO RUSSO O POETA.
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LEGIÃO URBANA

Um pouco da historia do Legiao Urbana

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A MMP dedica um espaço todo especial para falar e lembrar da maior e melhor banda de rock do brasil de todos os tempos. Uma banda que mesmo depois de extinta, continua conquistando aos mais variados tipos e embalando os sonhos dos eternos revoltados sonhadores, Nós!

Meninos e meninas, com vocês: Legião Urbana!


Renato Manfredini Junior nasceu em 27 de março de 1960, no Rio de Janeiro. Juninho (como era chamado pela família) era um ariano de gênio forte e características peculiares. Desde novo gostava de Frank Sinatra. Aos quatro anos, colocava neil Sedaka e Paul Anka e ia acompanhar os namoricos de uma tia na janela. O sentimento itinerante também é uma constante: ele morou com os avós e os primos na Ilha do Governador e aos sete anos de idade mudou-se com os pais para os Estados Unidos. Três anos depois estava de volta ao Rio de Janeiro e, em seguida, migrou para Curitiba e Brasília.
Ele era um menino recluso e tímido, que se trancava no quarto para ler a Enciclopédia Britânica e a coleção Os Pensadores . A mãe lhe dizia: "vai jogar bola, vai namorar". Ele ria baixinho e respondia: "Não adianta, mãe, eu sou diferente". Aos 15 anos ficou mais diferente ainda. Já morando em Brasília, Renato recebeu um pino de platina na perna, afetada por uma doença na cartilagem, e teve que se trancar em casa nos dois anos seguintes. Quando voltou a andar normalmente, fez descoberta que iria mudar a sua vida: o som punk dos Ramones, Sex Pistols e Sham 69. " Tire suas mãos de mim/
Eu não pertenço a você/
Não é me domiando assim/
Que você vai me entender "
Será
Legi&tildeo Urbana

Admirador do chamado progressivo, rock de inspiração sinfônica, Renato viu naqueles garotos rasgados, que faziam canções curtas e rápidas com três acordes, um exemplo a ser seguido: todo mundo poderia ter uma banda. E fundou, em 1978, com os amigos André Pretorius e Felipe lemos (futuro integrante do Capital Inicial) o Aborto Elétrico, um dos pioneiros do movimento punk-rock de Brasília, nitidamente influenciado pelo punk rock inglês, uma ousadia numa época em que a cidade ainda vivia o amordaçamento do regime militar. Dessa época nasceram algumas músicas da Legião Urbana, como Ainda é Cedo, nessa época, também, adotou o sobrenome Russo, uma homenagem coletiva aos filósofos Jean-jaques Rousseau e Bertrand Russel e ao pintor Henri Rousseau.

Desfeita a banda, depois de muitas mudanças na sua formação, Renato não deixou cessar sua inquietação musical. Em 1981, com violão em punho, foi mostrar suas recém-compostas nos bares de Brasília. Ele " Somos os filhos da revolução/
Somos burgueses sem religião/
Nós somos o futuro da nação/
Geração Coca-Cola "
Geração Coca-Cola
Legião Urbana

intitulava-se o Trovador Solitário. Em seu repertório, estavam Química, Eduardo e Mônica e algumas outras músicas que mais tarde seriam sucesso em todo o Brasil. Enquanto isso, estudava jornalismo no CEUB - Centro de Ensino Unificado de Brasília - ,trabalha no Ministério da Agricultura e dava aulas particulares de inglês e tentava a carreira de radialista, comandando um programa sobre Jazz. Um dia, Renato conheceu o baterista Marcelo Bonfá e com ele iniciou o projeto de uma nova banda: a Legião Urbana. A formação inicial da banda foi Renato Russo no baixo, Marcelo Bonfá na bateria, Eduardo Paraná na guitarra e Paulo Paulista no teclado; os dois últimos saíram cedo da banda, Ico Ouro- Preto foi para a guitarra mas durou pouco. Depois de alguns desencontros, os dois resolveram chamar para a guitarra um garoto que jamais havia tocado tal instrumento, Dado Villa-Lobos, era abril de 1983. A Legião tanto fez que acabou caindo nas graças da EMI Odeon, que lançou o primeiro disco da banda.


" Quem um dia irá dizer/
Que existe razão/
Nas coisas feitas pelo coração?/
E quem irá dizer/
Que não existe razão? "
Eduardo e Mônica
Dois

Desde os primeiros dias de sucesso, Renato Russo era um estranho no Rock Brasil, com sua postura absolutamente rebelde e política, de sinceridade extrema. Além disso, numa época que Paulo Ricardo adotava o modelito roqueiro e arrancava suspiros das meninas com o RPM, Renato fazia o contraponto, mergulhava fundo na contestação e encarnava o anjo muito louco. "Acho fácil as pessoas sentarem suas bundas gordas na cidade e ficarem definindo a juventude. Não tenho que saber como é a cabeça do jovem. Tenho é que, como cidadão, ajudar as pessoas que vêm depois de mim", dizia. Em 1986 ele reforçou suas intenções ao gravar Música Urbana 2, de intenso realismo à la Tom Waits - "Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres / Cantam música urbana (...) Não há verdades nem mentiras aqui / Só há música urbana." em 1987, foi a vez de Que País É Esse - "Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da Nação."
Adorava novas experiências. Ficava quatro dias sem comer, só pra conferir o resultado. Nestas fases, pintava, consumindo dias de trabalho experimental com telas que deixava pegar chuva ou misturando tinta à urina. Pesquisava magia, tarô e astrologia - isso junto a muita bebida.
Sua sensibilidade lhes custou caro na vida pessoal. Renato nunca escondeu sesu problemas com a depressão, as drogas e a bebida. Em 1984, por causa de uma recisão de contrato com a gravadora, ele tentou o suicídio, cortando os pulsos. Perdeu temporariamente o "Cortaram meus braços/
Cortaram minhas mãos/
Cortaram minhas pernas/
Num dia de verão"
1965 - Duas Tribos
Quatro Estações

movimento das mãos e teve que passar o baixo para Renato Rocha, vulgo Negrete, que gravou os três primeiros discos da Legião. Três anos depois, o vocalista confessou em entrevista: "Nunca bebi pelo gosto, mas para ficar louco. bebia Cointreau em copo de requeijão." Pouco depois, Quatro estações, disco de 1989, abria com a frase "Parece cocaína mas é só tristeza." Era uma história de dependência química que Renato tentou purgar no fim da vida. "Passei 15 anos da minha vida me destruindo com álcool e drogas. Eu estava que nem o Kurt Cobain, estava muito deprimido."

Alvo de uma veneração quase doentia por parte de seu público, Renato nem sempre soube lidar com as pressões do star system. E os shows eram seu ponto mais fraco. Em 1988, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, ele perdeu o controle e discutiu com os seguranças, encerrando a apresentação poucos minutos após seu início. Foi a senha para uma baderna que acabou com 385 pessoas feridas e 60 presas. Nos camarins, após o incidente, a banda chorava. Renato levou a culpa e, desde então, resolveu nunca mais se apresentar na cidade onde a Legião nasceu.
No dia da morte de Cazuza - 7 de julho de 1990 - , num show no Jockey Clube Brasileiro, no Rio, ele foi mais feliz. Os fãs pegaram areia na pista de corrida e começaram a fazer uma verdadeira guerra. O tumulto só não foi maior porque Renato deu uma bronca e conseguiu parar com a brincadeira de mau gosto. Mas as apresentações da Legião se tornaram cada vez mais rara. Houve uma miniturnê para divulgar o disco V (1991) e outra mais curta ainda para O Descobrimento do Brasil (1993), mesmo assim, só um ano depois que este já tinha sido lançado. Em 1995, Renato passou a sofrer síndromes de pânico que o impediram de voltar aos palcos.
Em 1990, Renato Russo decidiu quebrar o silêncio sobre um assunto que sempre aprecia velado em suas letras: sua condição de homossexual. Se, no primeiro disco, esta era detectada apenas ao se ler " Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus/
Tudo que j´ fiz foi por vaidade/
Jesus foi traído com um beijo/
Davi teve um grande amigo/
E não sei mais se é só questão de sorte "
L'Âge D'Or
V

nas entrelinhas ("Nossas meninas estão longe daqui / Não temos com quem chorar e nem pra onde ir / Se lembra quando era só brincadeira / Fingir de ser soldado a tarde inteira?"), em 1989 ela já começava a ficar mais explícita. "E eu gosto de meninos e meninas", dizia em alto e bom som em Meninos e Meninas, de As Quatro Estações.

Daí em diante, Renato não parou, tornando-se um ativista pela questão homossexual. Em 1994, ele gravou seu primeiro disco " A morte está perto e quero
aproveitar ao máximo este
momento para aprender com a
própria vida e com a morte "
Renato Russo
agosto, 1996

solo, The Stonewall Celebration Concert, em homenagem ao célebre levante gay ocorrido em 1969, nos Estados Unidos.

A Aids, que acabou consumindo o líder da Legião Urbana, já tinha sido tema de uma de suas canções: Feedback Song For a Dying Friend, que na tradução de Millôr de Fernandes, incluída no encarte de As Quatro Estações, ficou como Canção de Retorno Para Um Amigo à Morte. O Amigo à beira da morte era Cazuza, com quem Renato Russo dividia o título de poeta máximo do rock Brasil dos anos 80. Mais ou menos na mesma época em que a canção era lançada, o próprio Renato se contaminou com a Aids. " Digam o que disserem/
O mal do século é a solidão "
Esperando Por Mim
A Tempestade

Os boatos sobre a saúde do vocalista começaram a correr cerca de um mês atrás, quando a Legião lançou seu sétimo disco de estúdio, A Tempestade sem dar entrevistas e sem fazer divulgação. A foto de Renato no encarte era de arquivo, do tempo de Equilíbrio Distante. Isto tudo, somado leras como a de Natália ("vamos falar de pesticidas / E de tragédias radioativas / De doenças incuráveis"), despertou a curiosidade dos fãs. " Depois deste trabalho (A Tempestade)
eu quero descansar "
Renato Russo
julho, 1996

Trinta e seis anos foram poucos para Renato Russo, o vocalista da Legião Urbana e um dos maiores poetas que o rock nacional já concebeu, empolgado com a repercussão do último trabalho, queria voltar a excursionar e até mesmo compor uma ópera. Mas o destino disse não. Renato morreu em seu apartamento, em Ipanema (Rio de Janeiro), a 1:15 h da madrugada de 11 de outubro de 1996, de infecção pulmonar. Foi cremado no dia seguinte no Cemitério do Caju, Rio. " A paixão já passou em minha vida/
Foi bom até mas ao final deu tudo errado "
Longe do Meu Lado
A Tempestade

Renato Russo deixa um filho de 7 anos, Giuliano, cuja mãe ele não revelou. Mas diz-se tratar de uma modelo paulista que morreu em um acidente automobilístico. Também deixa uma série de gravações inéditas, que fariam parte de A Tempestade , caso ele tivesse sido um disco duplo, como ele queria. Existem também registros ao vivo dos últimos shows da Legião. Seu maior legado, porém, está na boca de seus fãs, não composto de trintões e quarentões, como era de se esperar, mas sim de jovens, de meninos e meninas...
.....




Entrevista com Renato Russo


- A idéia do disco em italiano veio depois da experiência em inglês
com o Stonewall Celebration?

- Trabalhamos até outubro do ano passado, fizemos a turnê do
Metropolitan e depois o Dado e o Bonfá já tinham outros projetos.
Fiquei me perguntando: o que vou fazer? Até que um dia resolvi ir a
uma loja de discos e achei uma seção enorme de música italiana. Puxa,
não conhecia nada disso, a não ser algumas da minha infância. Comprei
uns quatro discos e fiquei surpreso com as letras. São muito parecidas
com a temática da Legião. O canto deles também próximo do meu jeito
de interpretar. Comentei com o pessoal da (gravadora) EMI-Odeon que
queria gravar em italiano e, em duas semanas, me mandaram para a
Itália. Foi jóia. Não sei nada de italiano, apenas repetia as letras.
A produção foi toda minha, da ordem das músicas aos arranjos.

- O disco surgiu também por causa de sua ascendência italiana?

- É. Não queria fazer um disco solo em português, senão todo mundo ia
começar a dizer que a Legião acabou. A música remete a emoções..
Nessa viagem, aproveitei e fui cidade de Cremona para ver a certidão
de casamento dos meus bisavós, que vieram para c em 1875. Ainda
descobri que este ano comemoramos os 150 anos da imigração italiana,
teve tudo a ver.

- Chegou a conhecer os compositores que gravou?

- Conheci só os produtores das músicas. Foi bom conhecer o país,
sentir o cheiro da terra, ver como as pessoas andam na rua, ouvir o
som do idioma para ficar com espírito italiano.

- E os projetos de show com esse disco?

- Por enquanto, não tem nada definido. A língua não tão conhecida e
ainda por cima as rádios estão tocando Laura Pausini, que canta quatro
músicas que gravei. Não sei se vai ter briga do tipo não vou tocar a
versão do Renato porque já tem a da Laura em espanhol. Mas um bom
disco para o verão, para namorar.

- Por que não teve show com Stonewall?

- Porque já estava em turnê com O Descobrimento do Brasil. Dá
trabalho, tem que juntar os músicos e ensaiar, não como com o grupo,
que já está careca de saber. Nunca tinha feito música pop e mais
difícil do que rock. O Legião muito mais mole. Ficou menos brega do
que tinha imaginado, mas há umas coisas estilo Fafá de Belém no
Domingão do Faustão. (risos)

- Pretende alcançar um público que não conhece suas músicas?

- Essa não foi minha preocupação. Pensei o seguinte: ser que consigo
pegar essas músicas bregas e fazer com que as pessoas se emocionem com
isso? Foi tipo quando o Caetano gravou Sonhos, do Peninha. Ninguém
dava nada pela música e todo mundo ficou falando depois: "Que coisa
linda!"

- E o povo italiano conhece o trabalho da Legião?

- Muito pouco. Eles conhecem mais Chico, Caetano e Roberto Carlos.
Quis colocar alguma coisa brasileira no disco e ficou até engraçado
porque não entendo nada de bossa nova. Mas resolvi gravar Wave e Como
Uma Onda para ter algo brasileiro e para fazer uma homenagem pro Tom
Jobim. Quando ouço o disco, não me lembro da Itália, me lembro de uma
época da minha infância. Minha tia e todos aqueles coroas ouvindo
Pepino di Capri, Rita Pavone. A própria Jovem Guarda tinha muito dessa
influência da música italiana. Num determinado momento, isso se
perdeu. Tinha o filme Candelabro Italiano, coisas bem anos 60, mas
depois sumiram, com a entrada da música americana.

- E como vai a Legião?

- Muito bem. O Dado e o Bonfá foram para Londres cuidar da
remasterização e as caixas ficaram legais. Esse relançamento
importante porque a primeira tiragem dos discos ótima, mas depois
vai decaindo. E, como a gente vende razoavelmente bem, daqui a pouco
você compra o disco na loja e está tudo fora de registro. Além disso,
nossos três primeiros discos não foram feitos para ser CDs. Muitas
pessoas ainda têm o disco em vinil e não em CD.

- Mas vai demorar quatro anos de novo para ter show?

- Não, claro que não. Sei que está na hora de fazer, mas agora estamos
trabalhando no próximo disco.

- Como é o processo de composição das músicas?

- A gente faz uns pedaços, depois pega e fica ouvindo. Já devo ter
umas cinco ou seis letras e mais uma porção de idéias para o próximo
disco. Guardo tudo numa sacola velha. Se por acaso uma letra não entra
no disco, guardo e depois coloco em outro que tenha a ver. Também
coleciono possíveis títulos.

- E como começa a produção do disco?

- Marcamos estúdio e cada um já leva alguma coisa pronta. O Bonfá
compõe bastante... Alias, as pessoas têm mania de achar que sou eu que
faço tudo. O Dado às vezes traz a melodia acabada, só fica faltando a
letra.

- O que é mais complexo?

- Escolher as letras. Na hora de gravar o disco, nós sentamos e
escolhemos o que tem de melhor nas fitas. Gravamos na pré-produção e
sai uma beleza, mas depois não conseguimos reproduzir igualzinho, o
que é um saco. Somos mais intuitivos do que músicos. A parte que
demora mais é a composição das letras. Demorei três meses para
escrever Há Tempos.

- Os seus discos também relembram alguma fase da sua vida?

- É diferente. Como é trabalho, geralmente não consigo fazer essa
associação. Se eu estiver bem e tocar Angra dos Reis, eu fico ótimo.
Mas geralmente não é assim. O que me lembro mesmo é do trabalho que dá
as gravações e, quando fica pronto, ja ouvi tantas vezes que não dá,
não tenho saco.

- Não dá vontade de pegar um CD do grupo e ouvir?

- De bobeira, não. Posso falar, hoje vou ouvir, e faço como trabalho,
analisando. É aquela coisa que o padeiro fala, quando oferecem pão a
ele: "Chega!"

- O que você ouve então?

- Gosto muito de música clássica.

- Por isso, o último show foi aberto com ela?

- Acho emocionante aquela abertura da Flauta Mágica de Mozart. Todo
mundo gritando "vai começar!" Deixa uma expectativa legal. Todo mundo
abre show com Carmina Burana. Não agüento mais ouvir aquilo! Está
muito clichê. É igual a esses discos que vendem s¢ Quatro Estações, de
Vivaldi, e Valsa das Flores, do bal Quebra Nozes, de Tchaikowsky.

- Quais são seus compositores prediletos?

- Teve uma época em que só ouvia compositores bem antigos, até o tal
do anônimo. Aliás, esse cara escreveu muito, né? (risos) E coisas mais
recentes tipo Debussy, Eric Satie e Stravinsky. Agora, de dois anos
para cá, tenho escutado muito música romântica, que antes achava
chato, tipo Brahms, Schubert. Gosto muito de anos 60 e 70. Dos 80, não
ouço quase nada.

- Por que?

- Não gosto. Não tenho saco para ouvir New Order e The Cure. J David
Bowie e Rolling Stones eu adoro.

- E grupos brasileiros?

- Gosto muito do Pato Fu. Tem alguns grupos que eu respeito pra
caramba. O Titãs, principalmente da época do Arnaldo. Acho Jesus Não
Tem Dentes No País Dos Banguelas um dos melhores discos de rock de
todos os tempos. Geralmente gosto de ouvir outras coisas como Kid
Abelha e Paralamas. Já ouvi muito Pink Floyd, aquele disco da vaca
(Atom Heart Mother). Era só acordar e ir direto ouvir, até furar. Não
tenho mais 14 anos, estou a fim de ouvir outras coisas além de rock.
As coisas andam meio esquisitas depois da morte do Kurt Cobain. A
sensação a mesma que se viu com a morte dos Beatles. Ficou um vazio,
o panorama mudou e, agora, com o ex-Nirvana, aconteceu a mesma coisa.

- A idéia é continuar sempre assim?

- Não podemos nunca mudar a concepção da banda. O V (cinco) um disco
bem deprê, O Descobrimento do Brasil tem coisas sérias e outras leves.
Não posso fazer Que País É Este? 2 e 3. Gosto muito de falar sobre
relacionamentos humanos, sobre amor. Há coisas que escrevo e não faço
com o grupo. Não tem nada a ver. É como se colocasse um sofá na
cozinha. Meus amigos falam: 'poxa, Renato, como você é conservador!'
Por isso, pude colocar tanta coisa romântica nesse disco em italiano.
Assim, não vou precisar fazer esse gênero com a Legião. Senão, os fãs
vão falar que estamos virando Legião Rosana.

- Isso não é meio ditatorial: o público achar que vocês só têm que
tocar coisa pesada?

- Existe, mas gosto de acreditar que faço o que quero, respeitando o
público. Não posso fazer samba enredo.

- E as críticas da imprensa?

- Já fomos os queridos da crítica até o terceiro disco. Mas é chato
saber que aquilo que deu tanto trabalho vai ser julgado por um cara
que ouve três segundos de cada faixa, para dizer assim ou assado.
Houve uma crítica sobre O Descobrimento do Brasil que decorei de tão
ridícula. "O Brasil descoberto pela Legião Urbana tão decepcionante
quanto as denúncias de corrupção da CPI." Puxa! Teve outra que dizia:
"as letras são ininteligíveis, não fazem sentido, como Meu tornozelo
coça por causa de mosquitos/ Estou com cabelos molhados/ Me sinto
livre." Nossa, ou essa senhora não toma banho, nunca foi praia ou em
São Paulo não tem mosquito. (risos)

- Mas com as críticas violência que tumultuou alguns shows da Legião
você concorda, não é?

- Teve uma época em que alguns fãs projetavam as fantasias mórbidas na
minha pessoa. Isso aconteceu também com Cazuza e Lobão. A maioria das
pessoas é legal, mas tem uma minoria que atrapalha, que quer fazer
algazarra. Ai de mim se não tocar Eduardo e Mônica nos shows. (risos)

- O que sente com aquela galera gritando seu nome?

- A adrenalina vai a mil. É muito emocionante, dá um nervoso, mas
quando chego no palco, tudo passa. Eu enxergo cada pessoa que fica ali
na frente, peço até para iluminar a galera para eu ver melhor. Deu até
para ver aquela menininha que vai a todos os shows e cantar uma música
olhando só para ela.

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